segunda-feira, 15 de agosto de 2011


- olhe para mim outra vez, o que você vê?
- por que você insiste nessas perguntas desagradáveis? por que não se olha no espelho da sua casa?
- se vim até você, é porque não tenho condições de encontrar as minhas respostas sozinho.
- tudo bem, tudo bem. mas com esta maquiagem tão pesada, não consigo enxergar seu rosto. vá se lavar e volte depois.


- pronto. olhe para mim agora. o que você?
- hum, ainda é difícil. você precisa descansar um pouco, fica difícil com você sustando um olhar tão cansado assim.
- tenho muitas coisas a resolver, me falta tempo.
- você que define as suas prioridades; você que sabe da sua vida. quer mesmo que eu te diga o que eu vejo?
- não, você tem razão. com licença.
- bom dia.
- bom dia.
- olhe para mim hoje, veja como estou diferente. o que você?
- fisicamente, você parece melhor. mas olhe como você está, cheio de preconceitos, morais e poses.
- você é realmente difícil.
- e você é ansioso. prepara-se antes de se expor.
- ah, eu desisto de conversar com você.
- então vá embora. não perca o seu tempo e nem o meu.
- (...)

- oi.
- oi. hoje você está diferente de como estava naquela quinta-feira, parece mais seguro de si. se quiser que eu responda a sua pergunta, hoje poderei fazer com segurança.
- não, vim apenas para te agradecer.


17.07.11

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