você é camaleão.
encontro nos seus olhares inúmeros outros, em seus braços e palavras o afeto que pensei ter perdido.
Da água que nasce, corrói o que existe
domingo, 29 de abril de 2012
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
The weekend is coming!
Botem os lasers pra carregar, preparem o pacote de piadas, o figo, reguem os cactus lascivos; rapazes, preparem as desculpas que usarão em casa, moças preparem os braços para girar (fazendo um oito no sentido anti-horário) e a pele dos dedos para estralar, moçoilas pós-adolescentes, enlouquecam suas XL's, artistas frustados, renovem-se as esperanças, povos estudem a gramática para se defender, indies preparem as suas tintas, corajosos, preparem a lenha para a fogueira, bonitinhas porém ordinárias, treinem os disfarces para seus olhares sedutores, porraloukas, preparem os chás. todos, mas todos, estejam preparados porque é apenas a semana que está chegando ao fim.
30.06.11
Não, não quero apontar estas armas para você. Me prove o contrário, me convença que você é suficientemente interessante para manter-se vivo entre nós. Não se contente em apenas estar de corpo presente, calado. Eu sei que por trás maquiagem de auto-confiança existe alguém muito rico, que chora. Chore, só assim será espontâneo. Mostre-me as cores dos seus pensamentos que assim você se tornará interessante para mim. Repito, não quero disparar lasers, mísseis e flechas. Meu coração pede emoção e transborda compaixão e afinidade. Mostre-se para mim, lave sua pesada maquiagem de noites passadas. Colocarei todas as minhas armas no chão e te abracarei fraternalmente, com calor e amor. Mas, por favor, venha me ver de cara limpa.
03.07.11

Ergua sua coluna, estique suas perna, abra os braços, respire fundo, feche os olhos. Sinta o ar entrar em seus pulmões. Respire o ar frio e úmido da noite, respire a atmosfera de boemia e mistério. Boemise também sempre que possível. Aliás, em qualquer oportunidade. Fique à toa, ria, mas ria muito. Não precisa rir alto, não precisa ostentar nem parecer. Também, quando o seu ego estiver muito elevado, lembre-se de expor-se ao ridículo de vez em quando. Isso te levará a pensamentos que você nunca cogitaria em sã consciência. Descubra até onde os seus braços, pernas e articulações vão. Contraia cada parte do corpo como se fosse culpado com alguma coisa e depois relaxe e estique-se como o gato que acorda, irá sentir-se a pessoa mais livre do mundo. Movimente os dedos e sinta cada articulação, faça isso rápido depois devagar e mexa os braços em várias direções até que sinta suas artérias trabalhando. Faça uma ponte, plante uma bananeira, imite um pelicano uma aranha, pombo ou macaco.
Saiba quais são suas partes sensíveis, os seus pontos fortes e depois tire proveito disso. Compartilhe estas experiências com alguém que você goste e confie. De várias maneiras; várias vezes. Use as roupas que te façam sentir à vontade, que mostrem quem realmente você é e depois tire-as todas; conheça cada ângulo seu, identifique quais são as suas cores. Corte o seu próprio cabelo, crie o seu próprio padrão. Esta é a sua casa mais pessoal. Este é o seu corpo. Considere os alargadores, tintas, brincos, piercings e tatuagens; ou nenhum deles. Nenhum deles é realmente essencial além do seu corpo orgânico. Mas se achar que deve, que é algo espontâneo, faça. Divirta-se, você mesmo é o seu próprio ponto de partida.
03.07.11

No meio do caminho que ele vem percorrendo há dias, há uma bifurcação. Ambas as direções o levarão a caminhos totalmente desconhecidos. A única familiariadade que conhece é estar entre estes dois extremos, nunca escolhendo nenhum dos dois. Porém, a bifurcação está ali. E ele, parado, tenta entender o que está acontecendo.
O que ele não percebe é que atrás dele uma multidão segue em procissão em sua direção. Cada um deles tentará involuntariamente levá-lo para um dos dois caminhos, este é o curso da vida. Todos gostam de estar acompanhados. Enquanto a multidão se aproxima, um turbilhão de pensamentos atritam-se em um ringue.
Em frente a bifurcação, estão ele, pensamentos conflitantes e uma multidão solitária. A vida cumpre o seu papel: continuar. Diariamente, plantas nascem e morrem; cães passeiam pelas ruas, folhas são levadas pelo vento, carros transitam. A poeira é transportada de um chão para outro, novos inquilinos ocupam a casa da frente. De cada desdobramento, um novo origami é feito. A música repete-se nos players e mentes: palavras familiares, algo subliminar no ritmo. Ashes to ashes. O som preenche o ambiente enquanto as espirais envolvem o corpo, que flutua entorpecido.
O chão lentamente torna-se macio e ele sente que parte disto envolve seus pés. É agradável porém assustador. A massa que o envolve agora até a cintura é quente e o que ele mais gostaria era sentir medo neste momento. Porém, aquela massa já era parte dele e estavam prestes tornarem-se um mistério maior. Ele pensa sobre as dimensões sobre o sagrado e no que ele estava prestes a submergir. Com um ar de superioridade típica dos decandentes, ele afirma para si que suas novas formas de pensar são mais verdadeiras que os manuais de tabus que ele teve que decorar.
Tocando um céu feito de lona de circo branca, as pontas pretas de seus dedos mancham aquele pedaço de universo pessoal, criando pequenos asteróides grudados no tecido. Ele, vestido do branco da cor daquele céu, sorri com os lábios negros, assim como a ponta de seu nariz e o contorno dos seus olhos. Linhas ascendentes saem da ponta de seus olhos e do seu sorriso. Ele continua a flutuar e a criar.
A bifurcação não existe, a estrada segue reta. As pessoas passam, inexpressivas, rente a ele.
- Venha, clown monocromático, vamos dar uma volta na cidade. Já te disse que gostei do seu chapéu?
06.07.11

- o que você vê?
- eu vejo seus medos.
- como pode, se é algo que eu apenas sinto?
- vejo pela forma como você se defende.
- não, você está errado. estou sempre calada atrás das cortinas escuras do teatro.
- não importa, eu posso sentir você. as pessoas são como o ar, a verdade fica impregnada nesta atmosfera que envolve nós dois.
- pare com isso, você não tem o direito de invadir minha privacidade; seja o homem e mostre então o seu rosto.
- como assim, não está olhando para ele agora? este sou eu.
- não. você acha que eu não sei? eu sempre estou atrás de você quando tenta se olhar no espelho. Eu sei o que sempre acontece e as pessoas nunca reparam.
- somos dois então, agora eu que pergunto. olhe para o meu rosto, o que você vê?
- eu não vejo nada.
- impossível, ser visto é uma consequência de existir.
- não, eu não vejo o seu rosto, eu não vejo nada. vejo apenas os seus medos.
17.07.11
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