segunda-feira, 15 de agosto de 2011


The weekend is coming!
Botem os lasers pra carregar, preparem o pacote de piadas, o figo, reguem os cactus lascivos; rapazes, preparem as desculpas que usarão em casa, moças preparem os braços para girar (fazendo um oito no sentido anti-horário) e a pele dos dedos para estralar, moçoilas pós-adolescentes, enlouquecam suas XL's, artistas frustados, renovem-se as esperanças, povos estudem a gramática para se defender, indies preparem as suas tintas, corajosos, preparem a lenha para a fogueira, bonitinhas porém ordinárias, treinem os disfarces para seus olhares sedutores, porraloukas, preparem os chás. todos, mas todos, estejam preparados porque é apenas a semana que está chegando ao fim.

30.06.11
Desprenda-se dos seus padrões, quebre suas defesas, queime as máscaras, descruze seus os braços e pés, fixe seu olhar em seu objeto de desejo. Confie em suas ideias e em seus sentimentos. Mergulhe nessas águas, o mais fundo que conseguir. Mergulhe nú, despretensiosamente e com coragem.

01.07.11
Não, não quero apontar estas armas para você. Me prove o contrário, me convença que você é suficientemente interessante para manter-se vivo entre nós. Não se contente em apenas estar de corpo presente, calado. Eu sei que por trás maquiagem de auto-confiança existe alguém muito rico, que chora. Chore, só assim será espontâneo. Mostre-me as cores dos seus pensamentos que assim você se tornará interessante para mim. Repito, não quero disparar lasers, mísseis e flechas. Meu coração pede emoção e transborda compaixão e afinidade. Mostre-se para mim, lave sua pesada maquiagem de noites passadas. Colocarei todas as minhas armas no chão e te abracarei fraternalmente, com calor e amor. Mas, por favor, venha me ver de cara limpa.

03.07.11

Divirta-se com o seu corpo. Ele pode ser roliço ou esguio, grande ou pequeno, preto, branco, amarelo ou azul. Não importa, o importante é conhecer cada parte, cada fibra que compõe todo este terreno. Sempre que possível, descubra algum limite e o extrapole, assim descobrirá quem realmente você é. Estabeleça um acordo de paz entre vocês, saia o que é bom para ele; livre-se de tudo que te faz mal, mesmo que te faça bem. Inclusive, avalie o que é bom ou ruim, mas não prenda-se ao maniqueísmo, na vida, há um fio que une e equilibra todas as coisas.
Ergua sua coluna, estique suas perna, abra os braços, respire fundo, feche os olhos. Sinta o ar entrar em seus pulmões. Respire o ar frio e úmido da noite, respire a atmosfera de boemia e mistério. Boemise também sempre que possível. Aliás, em qualquer oportunidade. Fique à toa, ria, mas ria muito. Não precisa rir alto, não precisa ostentar nem parecer. Também, quando o seu ego estiver muito elevado, lembre-se de expor-se ao ridículo de vez em quando. Isso te levará a pensamentos que você nunca cogitaria em sã consciência. Descubra até onde os seus braços, pernas e articulações vão. Contraia cada parte do corpo como se fosse culpado com alguma coisa e depois relaxe e estique-se como o gato que acorda, irá sentir-se a pessoa mais livre do mundo. Movimente os dedos e sinta cada articulação, faça isso rápido depois devagar e mexa os braços em várias direções até que sinta suas artérias trabalhando. Faça uma ponte, plante uma bananeira, imite um pelicano uma aranha, pombo ou macaco.
Saiba quais são suas partes sensíveis, os seus pontos fortes e depois tire proveito disso. Compartilhe estas experiências com alguém que você goste e confie. De várias maneiras; várias vezes. Use as roupas que te façam sentir à vontade, que mostrem quem realmente você é e depois tire-as todas; conheça cada ângulo seu, identifique quais são as suas cores. Corte o seu próprio cabelo, crie o seu próprio padrão. Esta é a sua casa mais pessoal. Este é o seu corpo. Considere os alargadores, tintas, brincos, piercings e tatuagens; ou nenhum deles. Nenhum deles é realmente essencial além do seu corpo orgânico. Mas se achar que deve, que é algo espontâneo, faça. Divirta-se, você mesmo é o seu próprio ponto de partida.


03.07.11
No meio do caminho que ele vem percorrendo há dias, há uma bifurcação. Ambas as direções o levarão a caminhos totalmente desconhecidos. A única familiariadade que conhece é estar entre estes dois extremos, nunca escolhendo nenhum dos dois. Porém, a bifurcação está ali. E ele, parado, tenta entender o que está acontecendo.
O que ele não percebe é que atrás dele uma multidão segue em procissão em sua direção. Cada um deles tentará involuntariamente levá-lo para um dos dois caminhos, este é o curso da vida. Todos gostam de estar acompanhados. Enquanto a multidão se aproxima, um turbilhão de pensamentos atritam-se em um ringue.
Em frente a bifurcação, estão ele, pensamentos conflitantes e uma multidão solitária. A vida cumpre o seu papel: continuar. Diariamente, plantas nascem e morrem; cães passeiam pelas ruas, folhas são levadas pelo vento, carros transitam. A poeira é transportada de um chão para outro, novos inquilinos ocupam a casa da frente. De cada desdobramento, um novo origami é feito. A música repete-se nos players e mentes: palavras familiares, algo subliminar no ritmo. Ashes to ashes. O som preenche o ambiente enquanto as espirais envolvem o corpo, que flutua entorpecido.
O chão lentamente torna-se macio e ele sente que parte disto envolve seus pés. É agradável porém assustador. A massa que o envolve agora até a cintura é quente e o que ele mais gostaria era sentir medo neste momento. Porém, aquela massa já era parte dele e estavam prestes tornarem-se um mistério maior. Ele pensa sobre as dimensões sobre o sagrado e no que ele estava prestes a submergir. Com um ar de superioridade típica dos decandentes, ele afirma para si que suas novas formas de pensar são mais verdadeiras que os manuais de tabus que ele teve que decorar.
Tocando um céu feito de lona de circo branca, as pontas pretas de seus dedos mancham aquele pedaço de universo pessoal, criando pequenos asteróides grudados no tecido. Ele, vestido do branco da cor daquele céu, sorri com os lábios negros, assim como a ponta de seu nariz e o contorno dos seus olhos. Linhas ascendentes saem da ponta de seus olhos e do seu sorriso. Ele continua a flutuar e a criar.
A bifurcação não existe, a estrada segue reta. As pessoas passam, inexpressivas, rente a ele.
- Venha, clown monocromático, vamos dar uma volta na cidade. Já te disse que gostei do seu chapéu?


06.07.11

- o que você vê?
- eu vejo seus medos.
- como pode, se é algo que eu apenas sinto?
- vejo pela forma como você se defende.
- não, você está errado. estou sempre calada atrás das cortinas escuras do teatro.
- não importa, eu posso sentir você. as pessoas são como o ar, a verdade fica impregnada nesta atmosfera que envolve nós dois.
- pare com isso, você não tem o direito de invadir minha privacidade; seja o homem e mostre então o seu rosto.
- como assim, não está olhando para ele agora? este sou eu.
- não. você acha que eu não sei? eu sempre estou atrás de você quando tenta se olhar no espelho. Eu sei o que sempre acontece e as pessoas nunca reparam.
- somos dois então, agora eu que pergunto. olhe para o meu rosto, o que você vê?
- eu não vejo nada.
- impossível, ser visto é uma consequência de existir.
- não, eu não vejo o seu rosto, eu não vejo nada. vejo apenas os seus medos.

17.07.11

- olhe para mim outra vez, o que você vê?
- por que você insiste nessas perguntas desagradáveis? por que não se olha no espelho da sua casa?
- se vim até você, é porque não tenho condições de encontrar as minhas respostas sozinho.
- tudo bem, tudo bem. mas com esta maquiagem tão pesada, não consigo enxergar seu rosto. vá se lavar e volte depois.


- pronto. olhe para mim agora. o que você?
- hum, ainda é difícil. você precisa descansar um pouco, fica difícil com você sustando um olhar tão cansado assim.
- tenho muitas coisas a resolver, me falta tempo.
- você que define as suas prioridades; você que sabe da sua vida. quer mesmo que eu te diga o que eu vejo?
- não, você tem razão. com licença.
- bom dia.
- bom dia.
- olhe para mim hoje, veja como estou diferente. o que você?
- fisicamente, você parece melhor. mas olhe como você está, cheio de preconceitos, morais e poses.
- você é realmente difícil.
- e você é ansioso. prepara-se antes de se expor.
- ah, eu desisto de conversar com você.
- então vá embora. não perca o seu tempo e nem o meu.
- (...)

- oi.
- oi. hoje você está diferente de como estava naquela quinta-feira, parece mais seguro de si. se quiser que eu responda a sua pergunta, hoje poderei fazer com segurança.
- não, vim apenas para te agradecer.


17.07.11
Dê atenção aos cachorros de rua. Algumas vezes eles estarão sujos, à deriva, com fome, agressivos e cheio de vícios. Porém, do seu jeito desajustado de existir, eles compõem uma massa cheia de força, dotada de uma espontaneidade e auto-confiança. Eles não têm medo noite, becos, tampouco de cães maiores.
Estão acostumados a nudez da realidade, não tem as limitações medrosas, obedientes e lapidações de um cão de raça. Há um ritmo próprio no seu jeito de caminhar, um orgulho próprio de ser e um companheirismo verdadeiro, daqueles que só pode existir entre aqueles que estão à margem.
Superam a beleza altiva dos dálmatas, seduzem a mais glamurosa das poodles e superam na malandragem os robóticos pitbulls.
Esses habitantes da rua estão aí e o mundo é o seu próprio espaço. É todo deles. Estão para mostrar que a força de tudo que é vivo e derrubar qualquer tolo sistema de convenções.

20.07.11

A civilização tem tomado três coisas básicas: espaço, tempo e silêncio.
E você, do que também sente falta?

22.07.11
Corte, livre-se, jogue fora, exclua, apague, deixe em branco, termine, esqueça, conclua, silencie, selecione. Livre-se de tudo que te faz mal, mesmo que te faça bem. Repense seus valores, cuide de sua saúde, olhe um pouco mais para você mesmo. Ame-se, acima de tudo - Viva o individualismo! Ninguém é capaz de amar outras pessoas sem antes amar a si mesmo. Corte as firulas, livre-se do que te prejudique, mesmo que ame muito, de tal forma que isso já tenha se arraigado em seu corpo; jogue fora todos aqueles objetos esquecidos nos fundos das gavetas, armários e espíritos; termine aquilo que há tanto temo tem procrastinado e adiado; esqueça as ofensas e picuinhas, silencie-se do mundo e seu turbilhão de vozes para que possa ouvir melhor o que aquela voz tenta falar dentro de você.

31.07.11

A distância é a segurança daquilo que me faz bem e mal. Fujo, na verdade, do que eu me torno quando estou nesta presença. Quero olhar de longe, ir além da neblina que está entre nós.

29.03.11

Sinto às vezes que sou extremamente falso, quando proclamo sentimentos que não poderei me responsabilizar e quando escondo por trás de secas expressões as tão difíceis palavras de amor.

29.03.11
Deixe-a, Ela está em um momento próprio. Deixe que ese abrace, só assim poderá conhecer esta nova estranha.

26.04.11
e com este nariz pintado de azul, eu me escondo dos meus medos.
04.05.11
há uma música que não sai da minha cabeça. ela me força a escrever, olhar no fundo dos seus olhos e tentar enxergar algo obscuro em mim. ontem, nos olhamos por um tempo e me senti um pouco perdido. anteontem, conversamos sobre nós e expus um pouco das minhas aflições. hoje, ela continua comigo, rodando, rodando e rodando, espalhando névoa por toda a sala. já tentei muitas coisas, até alimentar o fogo. vi sua vida própria, seu cosmo, a maneira como consome a substância. o fogo é vivo. porém, ela continua comigo até que eu resolva uma incógnita que ela não quer me mostrar. ela disse que eu tenho que cuidar da minha vida e fazer outras tantas coisas e que apesar de tudo gosta de mim. sim, estar em sua presença é basante agradável, apesar disso sei que o nosso tempo está para expirar. o quanto antes, vou procurar um amigo em específico que sei que tem algo também em específico a me dizer. talvez assim ela vá embora ou desdobre-se em outra forma. assim, meus dias continuam, sorrindo quando deveria estar chorando.

Quero lhe contar uma história. Antes, Picasso diz uma vez a seguinte frase: "a arte é uma mentira que nos faz perceber a verdade". Em outra frase, ele diz: "a arte é perigosa; sim, ela nunca pode ser casta; se é casta, não é arte". Paul Simon, em 1964, escreve sobre uma visão. "Pessoas conversando sem falar, pessoas ouvindo sem escutar. Pessoas escrevendo canções que jamais compartilham. Ninguém ousou perturbar o som do silêncio." E uma última coisa: não espera nada desta história, não cobre dela coisa alguma.
A história é de um homem que se olha no espelho e nada vê. Todos falam com ele normalmente, ele sabe qual é o seu nome, porém sua localização espacial é uma vaga noção. Ele também não entende como seu corpo funciona. Ele pensa em caminhar e anda, ele espirra, pisca, coça a orelha. Mecanicamente, ele executa as funções básicas para viver. Porém, falar para ele é um verdadeiro desafio. Não que ele não saiba expressar as palavras, organizá-las e fazer ser entendido. É que as palavras que ele usa não são dele. Esse é o seu verdadeiro problema. Nada é dele. O corpo, que estranhamente ele se veste, é uma carne com ossos emprestada e que a cada dia morre um pouco. Seus ouvidos, ultimamente estão calejados de tantas palavras que não lhe interessam, tantos comandos que não fazem sentido algum. Em troca, ele devolve sorrisos amarelos, comentários monossílabos, respostas efusivas. Feições e palavras que também não são dele. Há um tempo atrás, ele sentiu que o contrato estava por terminar. Mas como um assunto que é sufocado por outro, este pensamento foi jogado em algum abismo do subconsciente, que até hoje paira, podendo retornar em algum momento.
Assim como ele, conhece inúmeros. Porém, a diferença entre eles é que ele enxerga o que ele não é. Todos os outros, juntam-se, formando uma multidão turbulenta. Eles conversam, riem, e se iludem. Aliás, a ilusão é o combustível que move aquela massa. "Gritem, iludam-se! Sofrer não faz sentido, há um caminho mais fácil. Venha, experimente isto". E ao redor desta multidão, letreiros piscam alucinadamente, palhaços saem de todos os cantos esguichando água de flores coladas em suas roupas. E ele, como pensa não ter outra escolha, junta-se a esse povo. No fim das contas, todos, mas sem exceção, acabam caminho junto com essa massa.
Um pouco cansando, ele se afasta e procura água. Um pouco a sua frente, há um grande estacionamento com poucos carros. É estranho, mas toda vez ele passa por esse lugar, ele tem a impressão que um trapézio suspenso no ar aparecerá e que o levará a algum lugar. Ir embora, aliás, é o que ele tem feito de mais digno ultimamente. Nada para ele era mais belo do que livrar-se. Porém, com o tempo ele descobriu que ir embora também era outra ilusão, outro empréstimo que ele fazia sem perceber.
Mesmo assim, três coisas ele sabia que tinha propriedade. Paradoxalmente, sua maior propriedade eram as mais fluidas e abstratas: o espírito, o tempo e amor. Com elas, ele poderia transformar todas as outras, desde encontrar o seu rosto e corpo até ajudar as outras pessoas. Três são interligados e dependentes, são vitais e têm vida própria. É o fogo, que é está vivo para consumir o que existe, para transformar e emitir calor. E é esta chama que o mantém ligado com este corpo, com este mundo.
Compre as passagens, prepare três mudas de roupas, o suficiente para semana; separe aquele melhor livro, aquele mais companheiro. jogue fora as bússolas, os mapas - leve apenas aquele bom atlas, que é para sustentarmos os pratos de comida no colo. Prepare as cartas, beije a todos, dê abraços calorosos e demorados. Ouça um pouco de chico buarque, cinco vezes roda viva e para finalizar, contrução. deixe o seu cachorro, o seu gato gordo e preguiçoso e aquele peixe dourado com um amigo de confiança, mas nunca com librianos, eles são péssimos em manutenção - apesar da aparência.
Leve um bloco, caneta e cores. Antes, pague suas dívidas, receba os perdões, perdoe as ofensas. Reze, se crê em Deus, ou fique em silêncio. Prepare-se para os lugares que irá conhecer, mas nunca crie expectativas.
Livre-se dos preconceitos e prepare-se para encontrar seus medos em cada rodovia. Jogue fora as máscaras e roupas de festa. Leve na mochila um trio de claves caso precise ganhar dinheiro.
Mas o mais importante, que torna tudo que mencionei antes mero detalhe: Leve a si mesmo, carregue cada parte do seu espírito e pensamentos próprios contigo. Mas prepare-se para abandoá-los pouco a pouco pelo caminho. Não se apegue a nada, acredite no fluxo da vida. Não pense que o que caiu não tem importância. Ao, contrário teve. Mas não mais agora.
Não tenha pretensões em voltar mas, se achar que deve, pegue o primeiro ônibus. O mundo te receberá de volta com braços abertos, uma manta grossa e um anel de ouro. Perceba as novas formas e cores do que pra você era tão familiar. Aconchegue-se e relaxe. Mas não se engane, quando uma voz te chamar no escuro da noite, será a voz da estrada, do mundo. Ela te seduz?

22.07.11
Espero outubro chegar. Quero que chegue rápido, que onde estou é o ponto para o declínio. O filme pra mim já terminou e o que vejo são reprises diárias. Meu ponto fraco sempre foi a mesmice, e disso fujo. Fujo.
Quem sabe desistir, começar novos planos ou retomar aqueles antigos. Por tudo isso espero que outubro venha rápido e que os pássaros que via há um tempo atrás continuem a me acompanhar. Enquanto isso não quero nada, não quero começar nada. Não criarei expectativas e espero o mesmo das outras pessoas.
Chegou o tempo de pedir licença, silêncio e até breve.

08.08.11
A mudança é a lei da vida; Vivemos em ciclo, às vezes pensamos que voltamos ao mesmo ponto. Mas não, nossa jornada é uma espiral ascendente.

25.02.10
Um novo horizonte só pode ser visto após a quebra de uma barreira.

28.02.10
O superego, mesmo careta, sempre esteve certo: a vida é feita obrigações. Se tudo der certo, a minha Id é que vai se esbaldar.

01.03.10
Sou uma esponja: absorvo com meus olhos tudo que instiga meu cérebro. Eu não sou mais um, sou uma dialética, um reflexo. Faço mutações para me adaptar a sua sintonia, obviamente se também puder reter algo que é seu.

03.03.10
Querer agradar é, antes de tudo, uma defesa.

04.03.10
Os bons têm sua parcela de culpa sobre a maldade. Intenções não fazem o mundo girar, a inércia é uma covardia.

05.03.10
Nossa vida é experimentar realidades que reproduzem o meio externo. Paradoxalmente, nos alienamos para experimentar este virtual. Na insaciável busca pelo abstrato, desgastamos tudo que é concreto e natural.

06.03.10
Ele nunca mais seria o mesmo. Finalmente, aquele homem estava se tornando ele mesmo.

09.03.10
Estranhamente, me sinto tão feliz, como se estivesse satisfeito por estar produtivo. Longe da agitação de pensamentos e o gozar da alegria da juventude, me encontro sentado e sistematizando. É como se a ordem me acalmasse e a razão me deitasse em seus braços. O sistema me dá tapinhas nas costas. Permaneço satisfeito até que a rotina chegue, me depare com novos horizontes e veja que está na hora abandonar o ninho que por meses pacientemente construí.

04.08.10
O pássaro com penas vistosas tinha toda a liberdade que queria. Um mundo para descobrir. Novas terras, campos verdes, famintos e virgens. Com tantas opções, o pobre ser não sabia para onde ir e sempre gastava seus dias de sol com os mais cruéis enovelamentos da vida: distrações. E assim, as horas passavam. Num belo dia, lhe ofereceram uma luxuosa gaiola muito confortável onde poderia cantar para um rico senhor. Como tinha que garantir seus grãos de todo dia, aceitou a proposta. Até hoje, nos seus intervalos de trabalho, continua observando as montanhas verdes e os pássaros boêmios que passeiam e usam seus narcóticos. Ele ri, porque agora pode almejar sem culpa. A privação, o seu mais covarde álibi, lhe incentivava.

04.08.10
É estranho, me sinto como se estivesse entre um hiato entre vida e morte, onde o sentido literal perdesse o sentido. Nesse ponto de existência, ambas se compreendem. O sacrifício seria a salvação da vida e transcedência da morte. Morrer pode ser estar vivo.
A luta pela vida, no seu sentido mais completo e gracioso é justamente o seu oposto. A perda seria a maior vitória. A renúncia do homem enquanto ser social que parte pela busca do íntimo. A revolução particular está feita, sua carne é a engranagem do pensamento. O espírito do mundo gira, ele faz parte agora do Mundo das Ideias. Ele está em qualquer lugar. Ele está vivo de uma maneira tão forte e completa que é resistente aos aspiradores do cotidiano. As pessoas chegarão até ele, tamanha sua confiança.
E diante daquela nova vida, cheia de novidades e pseudo-realizações, um instante de distração o faz relembrar aquele quase-amor de pouco menos de dois meses atrás.
Agora tudo aquilo tinha ficado pra trás, o seu muito era pouco. Seu corpo tinha uma nova sensação ao seu próprio toque, talvez a distância tivesse levado um pouco de sua libido. Aquele amor tinha se esvaído junto com as catarses que levaram todos os seus sentimentos ruins.
Por mais que evitasse pensar na noção de antiga vida, ele vivia agora outro contexto. Ele amava demais o universo, sua sede por carne estava atrofiada. Seria um sonho bom?
Seu corpo doída e sofria pela ansiedade. Os sofrimentos físicos e psicológicos se mesclavam e ele não conseguia distinguir qual deles era causa e consequência. Porém, isso não importava, tinha tirado de si o hábito de tomar remédios, salvo apenas quando necessário. O corpo é forte e sistemático, pensava ele. A aflição que corria em suas veias o pertubava a ponto de impedí-lo em suas tarefas corriqueiras. Sentia, subitamente, que mergulhava em um profundo vazio mental, um hiato branco da existência. Sentia-se um zumbi, viver é realmente algo desgastante.
Falta de confiança me cansa. Sério mesmo, estou cansado. Das pessoas, até de mim mesmo. Até que ponto posso cobrar algo dos outros se quando olho pra dentro de mim, percebo quase as mesmas falhas? Ontem ouvi crianças de menos de cinco anos falarem a palavra PECADO. O ser humano é grande, seu potencial é maior que ele mesmo. Estar vivo é viver nessa corda bamba entre o magnífico e o ordinário. Apesar de tudo, estou feliz em estar cansado. Só assim não sou medíocre.
Quando escrevo, entro no hiato da existência. Estou superiormente vivo, estou em outra dimensão. Se escrevo, me enxergo. Minha vida é mosaico truncado, porém cheio de interconexões. Vida e morte trocam suas definições, uma pode ser o caminho para outra. Quando vou além, quando uso meu potencial, me sinto realmente vivo. Viver ao máximo vai ao fundo dos pulmões. Do contrário, vegeto. Ir contra si mesmo é a autodestruição. A morte é negar-se a vida. Viver é a entrega ao máximo. Preciso ir ao extremo para entender de mim, porém viver vai além das sensações eufóricas. A realidade é mais do que viver a vida do comercial de margarina.
A goma perdeu o doce. A carne está sem sal. A quentinha esfriou na mochila. Perdeu a graça. O olhar é vazio e ao fechar dos olhos a escuridão toma formas curvas, indefinidas e circulares.
A poética da vida está xoxa, as obrigações tomaram o espaço.
O desequilíbrio tomou conta e a vida por meses tinha ficado às escondidas. O palhaço peralta que ria todos os dias transformou-se em um ser assustador, burlesco e bizarro. Os fantasmas saíram debaixo da cama e gritam "bú".
Na verdade, tudo já estava assim há um tempo, a beleza mascarara os fatos. Maltida beleza, poesia da enganação. O tempo passou, poderia recitar-se "e agora, josé" mil vezes. No peito há um pranto de indignação e remorso. Como o ser humano é falho!
Sofrer é preciso.
Há coisas que são inerentes ao homem, mas mesmo assim ele não deve tomar como suas. A vida é uma construção de pequenas escolhas.