A goma perdeu o doce. A carne está sem sal. A quentinha esfriou na mochila. Perdeu a graça. O olhar é vazio e ao fechar dos olhos a escuridão toma formas curvas, indefinidas e circulares.
A poética da vida está xoxa, as obrigações tomaram o espaço.
O desequilíbrio tomou conta e a vida por meses tinha ficado às escondidas. O palhaço peralta que ria todos os dias transformou-se em um ser assustador, burlesco e bizarro. Os fantasmas saíram debaixo da cama e gritam "bú".
Na verdade, tudo já estava assim há um tempo, a beleza mascarara os fatos. Maltida beleza, poesia da enganação. O tempo passou, poderia recitar-se "e agora, josé" mil vezes. No peito há um pranto de indignação e remorso. Como o ser humano é falho!
Sofrer é preciso.
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